quarta-feira, dezembro 05, 2007

Contradições

Tenho observado que em muitos casos existe uma contradição entre a posição politica de uma pessoa e a sua vida pessoal.

Eu vejo-me como um liberal, mas na prática não sou uma pessoa muito consumista e sou alérgico a todo o ripo de campanhas outbound e outro ripo de publicidades. (*)

Existe também por exemplo o caso famoso dos socialistas de caviar.

Enquanto que no lugar oposto temos por exemplo o caso curioso de Friedrich von Hayek, que ao longo de roda a sua vida era funcionário público e o qual obtou na fase final da sua vida para a posição de docente, pois na Alemanha ele teria direito a uma pensão.

Cada vez chego mais à conclusão de que a coerênciça é uma utopia.




(*) É discutível se eu sou uma pessoa assim tão liberal, tendo em conta que em parte simpatizo com manifestações anti-globalização, não pelo aquilo que esses manifestantes defendem, mas sim para motivar reformas adequadas ao sistema económico global. Tal como no caso das regras do transito rodoviário defendo igualmente a implementação de mais e melhores regras para os mercados financeiros. Mantendo essa analogia com a área rodoviária, eu sou a favor das regras de trânsito, emnquanto que muitos dos activistas anti-globalização são contra o trânsito rodoviário.

8 Bitaites:

Anónimo mandou o bitaite...

Ger, acho que a maioria dos manifestantes contra a globalização dizem-se tambem motivados pela necessidade de maior regulação e clarificação.Poder-se-á eventualmente objectar se o grau de intervencionismo por eles defendido não será, na pratica impeditivo;agora, defender o isolamento comercial das nações acho que muitos poucos fazem.

Como já te disse algumas vezes, independentemente de se ter duvidas sobre a relação entre as suas leituras e o real, o blog ladrões de bicicletas (agora na lista de ligações do ex-ku-malha) é uma boa ferramenta para perceber a teoria economica defendida por estes activistas...

Paulo Alemão mandou o bitaite...

A imagem que tenho das manifestações anti-globalização é o de um movimento muito heterogéneo, muito mais que a maioria dos movimentos sociais do passado. Existem desde de comunistas até gajos de extrema-direita, ecologistas e todo o tipo de gente. E também existem pessoas de base liberal que simpatizam certamente com esses movimentos para contribuir para uma maior transparência dos mercados.

Para bancos e empresas cotadas na bolsa existe um conjunto de regras que têem de cumprir. Mas para agentes financeiros como os Hedge Fonds existe pouca ou quase nenhuma regulamentação.
É como se houvesse regras de trânsito para carros e motas, mas não para pesados por exemplo.

Anónimo mandou o bitaite...

Ger... neem de propósito:

http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2007/12/as-lies-de-chang-viii-porque-que-o.html

Fresquinho de hoje

Paulo Alemão mandou o bitaite...

@ anónimo

Esse ensaio parece-me interessante. O autor desse texto não parece ser daqueles que nega as vantagens da economia de mercado, mas aponta as desvantagens na exclusividade de politicas "neoliberais" (originalmente o termo neoliberal teve um significado muito mais suave do que hoje em dia).

Geralmente existem dois tipos de politica económica:

Por um lado uma politica virada para a procura, que é o aumento do poder de compra das pessoas, que é por exemplo obtida atravês da súbida de salários. É a vertente defendida pela "esquerda".

Por outro lado uma politica virada para a oferta, que é o aumento da produtividade alcançado atravês da racionalização e a descida de impostos. É a vertente defendida pela "direita".


Como em muitas coisas penso que o melhor caminho está na mistura dos extremos.

Anónimo mandou o bitaite...

Ger reafirmo, a posição vinculada no post que eu deixei é bem menos incomum do que aquilo que tu normalmente afirmas...Nem que seja numa prespéctiva de mal maior,actualmente, o mercado é tolerado pela quase totalidade das pessoas que reflectem sobre estas coisas. As diferenças fundamentais estão relacionadas com o grau e o tipo regulação a que ele deve ser sujeito.

Paulo Alemão mandou o bitaite...

@ anónimo

Uma questão a esclarecer seria o que se entendo por um neoliberal.
Originalmente aquilo o que se entende por neoliberalismo não estava assim tão longe daquilo o que é defendido nesse post dos ladrões.
O neoliberalismo foi uma escola que surgiu em meados do século XX, era virado contra o proteccionismo, economia dirigida centralmente pelo estado e todo o tipo de totalitarismos.
O neoliberalismo demarcava-se do liberalismo clássico do século XIX (a famosa mão invisível de Adam Smith), por considerar que um mercado completamente livre podia levar a resultados indesejáveis.
Defendiam entre outras coisas: o controlo de monopólios e cartelos, o apoio social aos mais desfavorecidos, a igualdade de opurtunidades, liberadade de preços, propriedade privada e liberdade contratual.
Houve uma radicalização posterior de alguns dessa escola como foi o caso de Hayek.
É de notar que Milton Friedman considera-se a si próprio (e com razão se se considerar a definição de neoliberal aqui) não como neoliberal, mas sim como liberal no sentido clássico.

Aquilo o que se hoje designa por "neoiberalismo" está mais próximo do liberalismo clássico do que do neoliberalismo (na definição original).

Em resumo pode-se definir aquilo que o pessoal entende por neoliberalismo hoje em dia como politica económica acima de tudo virada para a oferta.

Tino de Rans mandou o bitaite...

há uma máxima francesa que diz: " O Capitalismo é a exploração do homem pelo homem, enquanto o Socialismo é precisamente o contrário"

Anónimo mandou o bitaite...

Dentro do capitalismo, falar de igualdade de oportunidades é uma afronta de oportunismo sem igual.


Esta é minha....