quarta-feira, dezembro 28, 2005

Também um matemático é apenas um homem

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Investigadora portuguesa descobre o embrulho perfeito

Sara I. Santos, matemática portuguesa da Universidade de Manchester, descobriu uma equação que permite obter embrulhos perfeitos e económicos. O mote para o exercício foi um estudo encomendado pela Amazon britânica para cortar neste tipo de custos.

A partir de um estudo encomendado pela Amazon para minizar os seus gastos com embrulhos de Natal, a investigadora portuguesa encontrou uma equação que não só lhe permite fazer embrulhos bonitos, como também poupar no papel e na fita cola, revela uma notícia do Manchester Online.
Tendo em linha de conta o gasto e o padrão do papel de embrulho, de fita-cola e o padrão do papel, Sara I. Santos, da Universidade de Manchester, passou uma semana embrenhada em cálculos e descobriu a fórmula perfeita: 1/2 (d + 2h + w)2 = 2(w + h)2(d + 2h + w)2 = 2(w + h)2.

um natal de amor e um ano novo de loucura

são os votos deste blog para os seus leitores e colaboradores.
Façam por isso.

Beijos e abraços.

Um pouco de cultura no fechar do pano

Discurso de aceitação do Prémio Nobel da Literatura 2005
Harold Pinter
Nobelprize.org

Em 1958, escrevi o seguinte:
«Não há grandes diferenças entre a realidade e a ficção, nem entre o
verdadeiro e o falso. Uma coisa não é necessariamente ou verdadeira ou
falsa; pode ser ao mesmo tempo verdade e mentira».
Creio que estas afirmações ainda fazem sentido, e ainda se aplicam à
exploração da realidade através da arte. Assim, como escritor, mantenho-as,
mas como cidadão não posso; como cidadão tenho de perguntar: Que é verdade?
Que é mentira?
A verdade na arte dramática é sempre esquiva. Nunca a encontramos
completamente, mas a busca por ela é compulsiva. A busca é claramente o que
motiva o empenho. A busca é a tua tarefa. Muitas vezes, tropeçamos com a
verdade na escuridão, chocando com ela ou vislumbrando uma imagem ou uma
forma que parece corresponder à verdade, frequentemente sem nos darmos conta
disso. Mas a verdade real é que na arte dramática não há tal coisa como uma
verdade única. Há muitas. Estas verdades desafiam­-se mutuamente, recusam­-se
mutuamente, reflectem-se mutuamente, ignoram-se mutuamente, provocam­-se
mutuamente, são cegas umas em relação às outras. Às vezes, sentimos que
temos a verdade de um momento na mão, então escapa­-se entre os nossos dedos
e perde­-se.
Perguntaram-me com frequência como nascem as minhas peças. Não sei dizê­-lo.
Como também não posso resumir as minhas peças, a não ser para dizer que foi
isto o que aconteceu. Isso é o que elas dizem. Isso é o que elas fizeram.
A maior parte das peças são geradas por uma frase, uma palavra ou uma
imagem. A palavra é com frequência rapidamente seguida pela imagem. Darei
dois exemplos de duas frases que apareceram na minha cabeça do nada,
seguidas por uma imagem, seguidas por mim.
As peças são The homecoming e Old times. A primeira frase de The homecoming
é «Que fizeste com a tesoura?» A primeira frase de Old times é «Escuro».
Em ambos os casos, não tinha mais informação.
No primeiro caso alguém estava, obviamente, à procura de uma tesoura e
perguntava pelo seu paradeiro a alguém de quem suspeitava que provavelmente
a tinha roubado. Mas eu, de alguma maneira, sabia que à pessoa interrogada
pouco lhe importava a tesoura ou, já agora, o interrogador.
"Escuro", tomei como a descrição do cabelo de alguém, o cabelo de uma
mulher, e era a resposta a uma pergunta. Em ambos os casos vi­-me compelido a
dedicar­-me ao assunto. Isto ocorreu visualmente, numa muito lenta graduação,
da sombra para a luz.
Sempre começo uma obra chamando aos personagens A, B e C.
Na peça que se tornou The Homecoming, vi um homem entrar numa sala austera e
fazer a sua pergunta a um homem mais jovem sentado num sofá feio a ler um
jornal de corridas de cavalos. De alguma forma suspeitava que A era um pai e
que B era seu filho, mas não tinha provas. Isto foi, no entanto, confirmado
pouco depois quando B (que depois seria Lenny ) disse a A (que depois seria
Max), «Pai, importas­-te que mude de assunto? Quero perguntar­-te uma coisa. O
jantar que tivemos antes, como se chama? Como o chamas tu? Por que não
compras um cão? És um cozinheiro de cães. A sério. Pensas que estás a
cozinhar para cães». Assim, como B chama "Pai" a A, pareceu­-me razoável
assumir que eram pai e filho. E havia também claramente o cozinheiro e a sua
comida não parecia ser muito valorizada. Queria isto dizer que não havia uma
mãe? Não sabia. Mas, como disse a mim mesmo então, os nossos princípios
nunca sabem os nossos fins.
"Escuro". Uma grande janela. Um céu ao entardecer. Um homem, A (que depois
seria Deeley) e uma mulher, B (que depois seria Kate) sentados com
bebidas. «Gorda ou magra», pergunta o homem. De quem falam? Mas então vejo,
de pé junto à janela, uma mulher, C (que depois seria Anna), alumiada por
uma luz diferente, de costas para eles, com o cabelo escuro.
É um momento estranho, o momento de criar personagens que até esse momento
não tinham tido existência. O que se segue é irregular, vacilante, mesmo
alucinatório, ainda que por vezes possa ser uma avalanche imparável. A
posição do autor é esquisita. Em certo sentido, não é bem-vindo pelas
personagens. As personagens resistem­-lhe, não é fácil conviver com elas, são
impossíveis de definir. Certamente não podemos dar­-lhes ordens. Até certo
ponto, jogamos um jogo interminável com elas, ao gato e ao rato, ao adivinha
quem é [blind man's buff], às escondidas. Mas finalmente descobrimos que
temos pessoas de carne e osso nas nossas mãos, pessoas com uma vontade e com
uma sensibilidade individual próprias, feitas de partes componentes que
somos incapazes de mudar, manipular ou distorcer.
Assim, a linguagem na arte continua a ser uma ambiciosa transação, umas
areias movediças, um trampolim, uma poça gelada que pode ceder sob os pés,
os do autor, em qualquer momento.
Mas, como disse, a busca da verdade nunca pode parar. Não pode ser suspensa,
não pode ser adiada. Tem que ser enfrentada, ali mesmo, no acto.
O teatro político apresenta uma variedade totalmente diferente de problemas.
Há que evitar os sermões a todo o custo. A objectividade é essencial. Deve­-
se deixar que as personagens respirem por sua própria conta. O autor não
pode confiná­-las nem constringi­-las para satisfazer o seu próprio gosto,
disposição ou preconceitos. Tem de estar preparado para se aproximar delas
de uma variedade de ângulos, de um sortido amplo e desinibido de
perspectivas, talvez, ocasionalmente, tomá-las de surpresa, mas apesar de
tudo, dando-lhes a liberdade para ir aonde desejem. Isto nem sempre
funciona. E a sátira política, evidentemente, não adere a nenhum destes
preceitos, na verdade, faz precisamente o contrário, o que é a sua autêntica
função.
Na minha peça The birthday party creio que permito o funcionamento de um
amplo leque de opções numa densa floresta de possibilidades antes de
finalmente me concentrar num acto de subjugação.
Mountain Language não aspira a essa amplitude de funcionamento. Permanece
brutal, curta e feia. Mas os soldados na peça sim divertem­-se com aquilo. Um
por vezes esquece­-se que os torturadores se aborrecem facilmente. Precisam
de se rir de vez em quando para manter o ânimo. Isto foi, evidentemente,
confirmado pelos acontecimentos em Abu Ghraib em Bagdade. Mountain language
dura só 20 minutos, mas poderia continuar hora após hora, uma e outra e
outra vez, o mesmo padrão repetido de novo e de novo, uma e outra vez, hora
após hora.
Ashes to ashes, por outro lado, dá-me a impressão de ter lugar debaixo de
água. Uma mulher que se afoga, a sua mão que emerge das ondas, que se afunda
e desaparece, procurando outras, mas não encontrando ali ninguém, seja acima
seja debaixo de água, encontrando unicamente sombras, reflexos, boiando; a
mulher uma figura perdida numa paisagem de naufrágio, uma mulher incapaz de
escapar do destino que parecia pertencer apenas a outros.
Mas, como eles morreram, ela também deve morrer.
A linguagem política, tal como é usada pelos políticos, não se adentra em
nenhum destes territórios dado que a maioria dos políticos, segundo a
evidência disponível, não estão interessados na verdade mas no poder e na
manutenção desse poder. Para manter esse poder é essencial que as pessoas
permaneçam na ignorância, que vivam na ignorância da verdade, mesmo da
verdade sobre as suas próprias vidas. O que nos rodeia é portanto um enorme
entrelaçado de mentiras, das quais nos alimentamos.
Como cada indivíduo aqui sabe, a justificação para a invasão do Iraque era
que Saddam Hussein possuía um perigosíssimo arsenal de armas de destruição
em massa, algumas das quais podiam ser lançadas em 45 minutos, provocando
uma apavorante devastação. Asseguraram-nos que isso era verdadeiro. Não era
verdadeiro. Disseram-nos que o Iraque tinha uma relação com a Al Qaeda e que
partilhava a responsabilidade pela atrocidade de 11 de Setembro de 2001 em
Nova York. Asseguraram-nos que isto era verdadeiro. Não era verdadeiro.
Disseram-nos que o Iraque ameaçava a segurança do mundo. Asseguraram-nos que
era verdadeiro. Não era verdadeiro.
A verdade é algo totalmente diferente. A verdade tem a ver com a forma como
os Estados Unidos entendem o seu papel no mundo e como decide encarná-lo.
Mas antes de voltar ao presente, gostaria de olhar o passado recente, refiro-
me à política externa dos Estados Unidos desde o final da Segunda Guerra
Mundial. Creio que é nossa obrigação submeter este período a pelo menos
algum tipo de escrutínio, ainda que limitado, que é tudo o que o tempo nos
permitirá aqui.
Todos sabem o que aconteceu na União Soviética e por toda a Europa de Leste
durante o período do pós­-guerra: a brutalidade sistemática, as múltiplas
atrocidades, a implacável supressão do pensamento independente. Tudo isto
foi amplamente documentado e verificado.
Mas a minha contenda aqui é que os crimes dos EUA no mesmo período só foram
registrados de forma superficial, não digamos já documentados, ou admitidos,
ou reconhecidos sequer como crimes. Creio que isto deve ser encarado e que a
verdade [sobre este assunto] tem muito a ver com a situação em que se
encontra o mundo actualmente. Embora limitadas, até certo ponto, pela
existência da União Soviética, as acções dos Estados Unidos por todo o mundo
deixaram claro que tinham concluído que tinham carta branca para fazer o que
quisessem.
A invasão directa de um estado soberano nunca foi, na verdade. o método
favorito dos Estados Unidos. Na maioria dos casos, preferiram o que
descreveram como "conflito de baixa intensidade". Conflito de baixa
intensidade significa que milhares de pessoas morrem, mas mais lentamente do
que se lançássemos uma bomba sobre eles de um só golpe. Significa que
infectamos o coração do país, que estabelecemos um tumor maligno e
observamos o desenvolvimento da gangrena. Quando o povo foi submetido - ou
moido a paus - o que vem a ser o mesmo - e os nossos próprios amigos, os
militares e as grandes corporações, se sentam confortavelmente no poder,
vamos à frente da câmara e dizemos que a democracia triunfou. Isto foi um
lugar comum na política externa dos Estados Unidos durante os anos a que me
refiro.
A tragédia da Nicarágua foi um caso muito significativo. Escolhi­ apresentá­­­-
lo aqui como um exemplo potente de como os Estados Unidos vêem o seu papel
no mundo, tanto então como agora.
Estive presente numa reunião na embaixada dos EUA em Londres no final dos
anos oitenta.
O Congresso de Estados Unidos estava prestes a decidir se dar mais dinheiro
aos Contras para a sua campanha contra o estado da Nicarágua. Eu era um
membro de uma delegação que vinha falar em nome da Nicarágua, mas a pessoa
mais importante nesta delegação era o Padre John Metcalf. O líder do grupo
dos EUA era Raymond Seitz (então número dois do embaixador, mais tarde
embaixador ele mesmo). O Padre Metcalf disse: «Senhor, dirijo uma paróquia
no norte da Nicarágua. Os meus paroquianos construíram uma escola, um centro
de saúde, um centro cultural. Vivíamos em paz. Há alguns meses uma força dos
Contra atacou a paróquia. Destruíram tudo: a escola, o centro de saúde, o
centro cultural. Violaram as enfermeiras e as professoras, assassinaram os
médicos, da forma mais brutal. Comportaram-se como selvagens. Por favor,
peça que o governo dos EUA retire o seu apoio a esta revoltante actividade
terrorista».
Raymond Seitz tinha muito boa reputação como homem racional, responsável e
altamente sofisticado. Era grandemente respeitado nos círculos diplomáticos.
Escutou, fez uma pausa, e depois falou com alguma gravidade. «Pai»,
disse, «deixe-me dizer-lhe algo. Na guerra, as pessoas inocentes sofrem
sempre». Houve um frio silêncio. Olhamos para ele. Ele não piscou.
As pessoas inocentes, de facto, sempre sofrem.
Finalmente, alguém disse: «Mas neste caso as "pessoas inocentes" foram
vítimas de uma horrível atrocidade subvencionada pelo seu governo, uma entre
muitas. Se o Congresso concede aos Contras mais dinheiro, mais atrocidades
desta tipo terão lugar. Não é assim? Não é, portanto, o seu governo culpado
de apoiar actos de assassinato e destruição contra os cidadãos de um estado
soberano?»
Seitz manteve­-se imperturbável. «Não estou de acordo que os factos, tal como
foram apresentados, apoiem as suas afirmações», disse.
Enquanto abandonávamos a embaixada, um assessor estado­-unidense disse­-me que
apreciava as minhas peças. Não respondi.
Devo recordar-lhes que o então presidente, Reagan, fez a seguinte
declaração: «Os Contras são o equivalente moral dos nossos Pais Fundadores».
Os Estados Unidos apoiaram a brutal ditadura de Somoza na Nicarágua durante
40 anos. O povo nicaraguano, liderado pelos sandinistas, derrocou este
regime em 1979, uma impressionante revolução popular.
Os sandinistas não eram perfeitos. Tinham a sua quota parte de arrogância e
a sua filosofia política continha um certo número de elementos
contraditórios. Mas eram inteligentes, racionais e civilizados. Propuseram-
se estabelecer uma sociedade estável, decente e plural. A pena de morta foi
abolida. Centenas de milhares de camponeses acometidos pela pobreza foram
resgatados dos mortos. Mais de 100.000 famílias receberam títulos de
propriedade sobre terras. Foram construídas duas mil escolas. Uma notável
campanha educativa reduziu o analfabetismo no país a menos de um sétimo.
Foram estabelecidos uma educação e um serviço de saúde gratuitos. A
mortalidade infantil foi reduziu em um terço. A poliomielite foi erradicada.
Os Estados Unidos denunciaram estas realizações como subversão
marxista/leninista. Do ponto de vista do governo dos EUA, estava-se a
estabelecer um exemplo perigoso. Se fosse permitido à Nicarágua estabelecer
normas básicas de justiça social e económica, se lhe fosse permitido subir
os níveis de saúde e educação e alcançar a unidade social e o auto­-respeito
nacional, os países vizinhos poriam as mesmas questões e fariam o mesmo.
Havia evidentemente nessa época uma feroz resistência ao status quo em El
Salvador.
Falei anteriormente sobre "um entrelaçado de mentiras" que nos rodeia. O
presidente Reagan descrevia habitualmente a Nicarágua como um "calaboiço
totalitário". Isto foi tomado de forma geral pelos meios de comunicação, e
certamente pelo governo britânico, como um comentário correcto e justo. Mas,
na verdade, não havia registro de esquadrões da morte sob o governo
sandinista. Não havia registro de torturas. Não havia registro de uma
brutalidade sistemática ou oficial por parte dos militares. Nenhum sacerdote
foi jamais assassinado na Nicarágua. Havia, na veradde, três sacerdotes no
governo, dois jesuítas e um missionário Maryknoll. Os calaboiços
totalitários estavam na realidade ao lado, em El Salvador e na Guatemala. Os
Estados Unidos tinham feito cair o governo democraticamente eleito da
Guatemala em 1954 e estima­-se que mais de 200.000 pessoas tinham sido
vítimas das sucessivas ditaduras militares.
Seis dos mais eminentes jesuítas do mundo foram brutalmente assassinados na
Universidade da América Central em San Salvador em 1989 por um batalhão do
regimento Alcatl treinado em Fort Benning, Geórgia, EUA. Esse homem
extremamente corajoso, o Arcebispo Romero, foi assassinado enquanto dizia a
missa. Estima-se que morreram 75.000 pessoas. Por que foram assassinadas?
Foram assassinadas porque acreditavam que uma vida melhor era possível e que
devia ser realizada. Essa crença qualificava­-os imediatamente como
comunistas. Morreram porque se atreveram a questionar o status quo, a
interminável situação de pobreza, a doença, a degradação e a opressão que
tinham recebido como herança.
Os Estados Unidos finalmente fizeram cair o governo sandinista. Levou alguns
anos e uma resistência considerável, mas uma perseguição económica
implacável e 30.000 mortos finalmente minaram o ânimo do povo nicaraguano.
Estavam exaustos e acometidos pela pobreza uma vez mais. Os casinos voltaram
ao país. A saúde e a educação gratuitas acabaram. As grandes empresas
voltaram para valer. A "democracia" tinha triunfado.
Mas esta "política" não estava, de modo nenhum, restrita à América Central.
Foi conduzida por todo o mundo. Era interminável. E é como se nunca se
tivesse passado.
Os Estados Unidos apoiaram e em muitos casos engendraram cada ditadura
militar de direita no mundo depois do final da Segunda Guerra Mundial.
Refiro-me a Indonésia, Grécia, Uruguai, Brasil, Paraguai, Haiti, Turquia,
Filipinas, Guatemala, El Salvador, e, claro, Chile. O horror que os Estados
Unidos infligiram ao Chile em 1973 não poderá ser nunca purgado nem
esquecido.
Centenas de milhares de mortes tiveram lugar em todos estes países. Tiveram
lugar? E são elas em todos os casos atribuíveis à política externa dos EUA?
A resposta é sim, tiveram lugar e são atribuíveis à política externa dos
EUA. Mas vocês não o saberiam.
Nunca aconteceu. Nada alguma vez aconteceu. Mesmo enquanto acontecia não
estava a acontecer. Não importava. Não tinha interesse. Os crimes dos
Estados Unidos têm sido sistemáticos, constantes, imorais, cruéis, mas muito
poucas pessoas falaram efectivamente deles. É preciso reconhecer isto aos
Estados Unidos. Exerceram uma manipulação bastante clínica do poder em todo
o mundo enquanto se disfarçavam como uma força ao serviço do bem universal.
É um exercício de hipnose brilhante, até espirituoso, altamente bem sucedido.
Digo-vos que os Estados Unidos são sem dúvida o maior espectáculo ambulante.
Por brutais, indiferentes, desdenhosos e implacáveis que sejam, são também
muito inteligentes. Como vendedores não têm rival, e a mercadoria que melhor
vendem é o amor próprio. Trata­-se de um vencedor. Escutem todos os
presidentes dos Estados Unidos na televisão dizer as palavras, "o povo
americano", como na frase "digo ao povo americano que é hora de rezar e
defender os direitos do povo americano e peço ao povo americano que confie
no seu presidente na acção que vai empreender em benefício do povo
americano".
É uma estratagema brilhante. A linguagem é efectivamente utilizada para
manter o pensamento descansado. As palavras "o povo americano" produzem uma
almofada de tranquilidade verdadeiramente voluptuosa. Não precisamos de
pensar. Simplesmente recostemo­-nos na almofada. A almofada pode estar a
sufocar a nossa inteligência e as nossas capacidades críticas mas é muito
confortável. Isto não se aplica, evidentemente, aos 40 milhões de pessoas
que vivem abaixo da linha de pobreza e aos 2 milhões de homens e mulheres
prisioneiros no vasto gulag de prisões, que se estende ao longo dos Estados
Unidos.
Estados Unidos já não se incomodam com os conflitos de baixa intensidade.
Não vêem nenhum interesse em ser reticente ou dissimulado. Põem as suas
cartas na mesa sem medo nem favor. Simplesmente está­-se marimbando para as
Nações Unidas, para a lei internacional ou a discordância crítica, que
encara como impotente e irrelevante. Também tem o seu próprio cãozinho que
ladra seguindo atrás pela trela, a patética e indolente Grã-Bretanha.
O que aconteceu à nossa sensibilidade moral? Chegamos a ter alguma? O que
significam estas palavras? Será que se referem a um termo muito raramente
utilizado nestes dias - consciência? Uma consciência que tem a ver não só
com os nossos próprios actos, mas também com a nossa responsabilidade
partilhada nos actos dos outros? Está tudo isto morto? Olhem para a Baía de
Guantánamo. Centenas de pessoas detidas sem acusação durante três anos, sem
representação legal ou o devido processo, tecnicamente detidos para sempre.
Esta estrutura totalmente ilegítima é mantida em desafio à Convenção de
Genebra. Não só é tolerada, mas mal é considerada pelo que se chama
a "comunidade internacional". Esta ultraje criminoso está a ser cometido por
um país, que se declara a si mesmo como "o líder do mundo livre". Será que
pensamos nos habitantes da Baía de Guantánamo? O que dizem os meios de
comunicação sobre eles? Aparecem ocasionalmente - uma pequena menção na
página seis. Eles foram consignados
a uma terra de ninguém da qual, na verdade, podem nunca mais voltar. No
momento, muitos estão em greve de fome, a ser alimentados à força, incluídos
os residentes britânicos. Não há subtilezas nestes procedimentos de
alimentação. Nem sedativos nem anestésicos. Só um tubo inserido no teu nariz
e dentro da tua garganta. Tu vomitas sangue. Isto é tortura. Que disse o
secretário britânico dos negócios estrangeiros sobre isto? Nada. Que disse o
primeiro­-ministro britânico sobre isto? Nada. Por que não? Porque os Estados
Unidos disseram: criticar a nossa conduta na Baía de Guantánamo constitui um
acto pouco amistoso. Ou estais connosco ou contra nós. Assim, Blair cala­-se.
A invasão de Iraque foi um acto bandido, um acto de evidente terrorismo de
estado, demonstrando um desprezo absoluto pelo conceito de lei
internacional. A invasão foi uma acção militar arbitrária baseada numa série
de mentiras atrás de mentiras e numa grosseira manipulação dos meios de
comunicação e, portanto, do publico; um acto visando consolidar o controle
militar e económico dos Estados Unidos sobre o Médio Oriente disfarçado -
como último recurso - tendo todas as outras justificações caído por si
mesmas - de libertação. Uma formidável afirmação de força militar
responsável pela morte e mutilação de milhares e milhares de pessoas
inocentes.
Levámos tortura, bombas de fragmentação, urânio empobrecido, inumeráveis
actos de assassinato aleatório, miséria, degradação e morte ao povo
iraquiano e chamamos a isso "levar a liberdade e a democracia ao Médio
Oriente".
Quantas pessoas é preciso matar antes de se estar qualificado para ser
descrito como um assassino em massa e um criminoso de guerra? Cem mil? Mais
do que suficiente, pensaria eu. Por isso, é justo que Bush e Blair sejam
levados perante o Tribunal Penal Internacional de Justiça. Mas Bush foi
esperto. Não ratificou o Tribunal Penal Internacional de Justiça. Por isso,
se algum soldado ou, já agora, político americano se achar no banco dos
réus, Bush avisou que enviará os marines. Mas Tony Blair ratificou o
Tribunal e está portanto disponível para a acusação. Podemos proporcionar ao
Tribunal o seu endereço se estiver interessado. É o número 10 de Downing
Street, Londres.
A morte neste contexto é irrelevante. Ambos, Bush e Blair colocam a morte
bem longe, nas contas atrasadas. Pelo menos 100.000 iraquianos foram mortos
pelas bombas e mísseis americanos antes de a insurgência iraquiana ter
começado. Estas pessoas não têm importância. As suas mortes não existem. São
vazios. Nem sequer estão registradas como estando mortas. «Não fazemos
contagem de corpos», disse o general americano Tommy Franks.
No início da invasão foi publicada na primeira página dos jornais britânicos
uma fotografia de Tony Blair beijando a bochecha de um rapazinho
iraquiano. «Um criança agradecida» dizia a legenda. Uns dias depois apareceu
uma história com uma fotografia, numa página interior, de outro rapaz de
quatro anos sem braços. A sua família tinha sido explodida por um míssil.
Ele foi o único sobrevivente. «Quando terei os meus braços de volta?»
perguntou. A história foi deixada cair. Bem, Tony Blair não o segurava nos
seus braços, nem o corpo de qualquer outra criança mutilada, nem corpo de
qualquer cadáver ensanguentado. O sangue é sujo. Suja a tua camisa e a tua
gravata quando estás a fazer um discurso sincero na televisão.
Os 2.000 americanos mortos são um embaraço. São transportados para as suas
tumbas na escuridão. Os funerais são discretos, a salvo. Os mutilados
apodrecem nas suas camas, alguns para o resto das suas vidas. Assim, os
mortos e os mutilados apodrecem ambos, em diferentes tipos de tumbas.
Eis um extracto de um poema de Pablo Neruda: Explico Algumas Coisas:
E uma manhã tudo estava ardendo
e uma manhã as fogueiras
saíam da terra
devorando seres,
e desde então fogo,
pólvora desde então,
e desde então sangue.
Bandidos com aviões e com mouros,
bandidos com alianças e duquesas,
bandidos com frades negros abençoando
vinham pelo céu a matar crianças,
e pelas ruas o sangue das crianças
corria simplesmente, como sangue de crianças
Chacais que o chacal recusaria,
pedras que o cardo seco morderia cuspindo,
víboras que as víboras odiariam!
Frente a vós vi o sangue
de Espanha levantar-se
para afogar-vos numa só onda
de orgulho e de facas!
Generais
traidores:
olhai a minha casa morta,
olhai a Espanha quebrada:
mas de cada casa morta sai metal ardendo
em vez de flores,
mas de cada vão de Espanha
sai a Espanha,
mas de cada criança morta sai uma espingarda com olhos,
mas de cada crime nascem balas
que vos acharão um dia o lugar
do coração.
Perguntareis por que a sua poesia
não nos fala do sonho, das folhas,
dos grandes vulcões do seu país natal?
Vinde ver o sangue pelas ruas,
vinde ver
o sangue pelas ruas,
vinde ver o sangue
pelas ruas!
Deixem­-me tornar claro que citando o poema de Neruda não estou de modo
nenhum a comparar a República Espanhola com o Iraque de Saddam Hussein. Cito
Neruda porque em nenhum outro lugar da lírica contemporânea li uma descrição
tão visceral e poderosa do bombardeamento de civis.
Disse antes que os Estados Unidos estão agora a ser totalmente francos ao
pôr as suas cartas na mesa. Esse é o caso. A sua política oficial declarada
é agora definida como "domínio de espectro total". Este não é o meu termo, é
o deles. "Domínio de espectro total" quer dizer controle da terra, mar, ar e
espaço e todos os seus recursos.
Os Estados Unidos ocupam agora 702 bases militares por todo o mundo em 132
países, com a honrosa excepção da Suíça, claro. Não sabemos muito bem como
chegaram lá, mas o facto é que estão lá.
Os Estados Unidos possuem 8.000 cabeças nucleares activas e operacionais.
Duas mil estão em alerta permanente, prontas a serem lançadas 15 minutos
após aviso. Estão a desenvolver novos sistemas de força nuclear, conhecidos
como destruidores de bunkeres [bunk busters]. Os britânicos, sempre
cooperativos, estão a planear substituir o seu próprio míssil nuclear, o
Trident. A quem, pergunto-me, estão a apontar? A Osama Bin Laden? A ti? A
mim? A Joe Dokes? China? Paris? Quem sabe? O que sim sabemos é que esta
loucura infantil - a posse e a ameaça de uso de armas nucleares - está no
cerne da actual filosofia política dos Estados Unidos. Devemos recordar a
nós mesmos que os Estados Unidos estão numa permanente postura militar e não
mostram sinais de a relaxar.
Muitos milhares, se não milhões, de pessoas nos próprios Estados Unidos
estão manifestamente enojados, envergonhados e zangados pelas acções do seu
governo, mas tal como estão as coisas não são uma força política coerente -
ainda. Mas a ansiedade, a incerteza e o medo que podemos ver a crescer
diariamente nos Estados Unidos não é provável que diminua.
Sei que o presidente Bush tem muitos escritores de discursos competentes,
mas gostaria de oferecer­-me como voluntário para o emprego. Proponho o
seguinte breve discurso que ele pode fazer na televisão à nação. Vejo­-o
solene, com o cabelo cuidadosamente penteado, sério, confiante, sincero,
frequentemente sedutor, por vezes empregando um sorriso irónico,
curiosamente atraente, um autêntico macho.
"Deus é bom. Deus é grande. Deus é bom. O meu Deus é bom. O Deus de Bin
Laden é mau. O seu é um mau Deus. O Deus de Saddam era mau, só que ele não
tinha um. Ele era um bárbaro. Nós não somos bárbaros. Nós não cortamos as
cabeças das pessoas. Nós acreditamos na liberdade. Deus também. Eu não sou
bárbaro. Eu sou o líder democraticamente eleito de uma democracia amante da
liberdade. Somos uma sociedade compassiva. Ministramos uma electrocução
compassiva e uma compassiva injecção letal. Somos uma grande nação. Eu não
sou um ditador. Ele é. Eu não sou um bárbaro. Ele é. E ele é. Todos eles
são. Eu possuo autoridade moral. Vêem este punho? Esta é a minha autoridade
moral. E não o esqueçam".
A vida de um escritor é extremamente vulnerável, quase uma actividade nua.
Não temos que chorar por isso. O escritor faz a sua eleição e fica colado a
ela. Mas é verdadeiro dizer que estamos expostos a todos os ventos, algum
deles certamente gelados. Estás por tua conta, sobre uma perna. Não
encontras refúgio, nem protecção - a não ser que mintas - em cujo caso,
evidentemente, terás construído a tua própria protecção e, poderia
argumentar-se, ter­-te­-ás transformado num político.
Referi-me à morte bastantes vezes esta tarde. Vou citar agora um poema meu
chamado Morte
Onde foi o cadáver encontrado?
Quem encontrou o cadáver?
Estava o cadáver morto quando o encontraram?
Como estava o cadáver encontrado?
Quem era o cadáver?
Quem era o pai ou filha ou irmão
ou tio ou irmã ou mãe ou filho
do morto e abandonado cadáver?
Estava o cadáver morto quando foi abandonado?
Foi o cadáver abandonado?
Por quem tinha sido abandonado?
O cadáver estava nu ou vestido para uma viagem?
O que o fez declarar morto o cadáver?
Declarou morto o cadáver?
Quão bem conheceu o cadáver?
Como soube que o cadáver estava morto?
Lavou o cadáver?
Fechou ambos os seus olhos?
Enterrou o corpo?
Deixou­-o abandonado?
Beijou o cadáver?
Quando olhamos para um espelho pensamos que a imagem que nos enfrenta é
exacta. Mas se nos movemos um milímetro a imagem muda. Estamos na verdade a
olhar para um interminável leque de reflexos. Mas algumas vezes o escritor
tem que estilhaçar o espelho - pois é do outro lado do espelho que a verdade
nos olha.
Creio que, apesar das enormes dificuldades que existem, uma firme,
inquebrantável, feroz determinação intelectual, como cidadãos, para definir
a autêntica verdade das nossas vidas e das nossas sociedades é uma obrigação
crucial que nos diz respeito a todos. É, realmente, obrigatório.
Se tal determinação não estiver incorporada na nossa visão política, não
temos esperança de restaurar o que está quase perdido para nós - a dignidade
do ser humano.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Feliz Natal

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Reveillon 2005/2006

Estamos a pouco mais de uma semana da passagem de ano e apesar de já termos casa confirmada (cedida gentilmente pelo nosso amigo Torres) em Buarcos - Figueira da Foz, urge perguntar a todos vós, cidadãos eleitores, quem vai á passagem de ano e no caso de irem se desejam ir na sexta (Dia 30) para duas noites de folia ou apenas sabado (Dia 31) para o reveillon.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

No Comment

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Vamos à mariscada ?!

Tinha-se falado há tempos para organizar um jantar de marisco. Na altura não deu porque havia muito pessoal fora, entretanto falou-se em fazer a cena no próximo sábado dia 17... Era para saber quem é que alinha para tentarmos arranjar um sítio... Se alguém tiver uma sugestão.... Talvez repetir o jantar no Dom Fininho em Cantanhede....

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Mundial 2006 - os grupos

GRUPO A - Alemanha (1), Equador (4), Polónia (3), Costa Rica (2)
GRUPO B - Inglaterra (1), Paraguai (2), Suécia (4), Trinidade e Tobago (3)
GRUPO C - Argentina (1), Costa do Marfim (2), Holanda (4), Sérvia e Montenegro (3)
GRUPO D - México (1), Angola (3), Portugal (4), Irão (2)
GRUPO E - Itália (1), Gana (2), Rep. Checa (4), EUA (3)
GRUPO F - Brasil (1), Austrália (3). Croácia (2), Japão (4)
GRUPO G - França (1), Togo (4), Suíça (2), Coreia do Sul (3)
GRUPO H - Espanha (1), Tunísia (3), Ucrânia (2), Arábia Saudita (4).

Portugal defrontará os operários da construção civil de Angola, os fanáticos religiosos do Irão e os tequillas do México.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Acabadinho de chegar...

Embora não se perceba bem, resolvi postar na mesma esta foto:



Para quem esteja à nora... é o ecrã que mostra o resultado final do jogo de hoje. Sim ganhámos ao Manchester United!! 2-1, para quem ainda não saiba (se é que haja alguém nesta situação).

Por isso gritemos bem alto BENFICA!!!!!!!!!!!!

Os que nao estão nos Debates Presidenciais da TV.

São cidadãos do nosso país, mas que a comunicação social não lhes reconhece o estatuto candidatos a Presidencia da República Portuguesa.

Os candidatos sem direito a debate:


PS.: Pulhas sõa boa parte dos jornalistas.....que não tem isenção, e que dão prioridade a "sangue" do que a informar. Fica demonstrado que há cidadãos de Primeira e de Segunda!!

Debates presidenciais

Achei por bem deixar aqui a agenda dos debates entre os 5 (principais) candidatos às presidenciais de 2006. (É óbvio que o 1º já foi, mas deixo aqui na mesma)

Manuel AlegreVsCavaco Silva2ªF, 05/12, SIC
Mário SoaresVsJerónimo de Sousa5ªF, 08/12, RTP
Cavaco SilvaVsFrancisco Louçã6ªF, 09/12, TVI
Manuel AlegreVsFrancisco Louçã2ªF, 12/12, RTP
Cavaco SilvaVsJerónimo de Sousa3ªF, 13/12, SIC
Mário SoaresVsManuel Alegre4ªF, 14/12, TVI
Francisco LouçãVsJerónimo de Sousa5ªF, 15/12, RTP
Mário SoaresVsFrancisco Louçã6ªF, 16/12, SIC
Manuel AlegreVsJerónimo de Sousa2ªF, 19/12, TVI
Cavaco SilvaVsMário Soares3ªF, 20/12, RTP

Todos eles estão marcados para as 20:45H. Ou seja, mesmo colados ao fim dos telejornais.

Já agora, apelo ao cumprimento do vosso dever cívico. Vão votar! (Desde que não seja no Cavaco... esse PULHA!)

terça-feira, dezembro 06, 2005

Leiam e pensem no que andam cá a fazer...

Quarenta e quatro por cento acima das metas de Quioto

Quercus: Portugal vai bater recorde de gases poluentes este ano
06.12.2005 - 08h06 Lusa



Portugal deverá fechar o ano de 2005 com um recorde nas emissões de gases poluentes, ultrapassando mesmo a subida de 43,8 por cento registada em 2002, estima uma projecção divulgada hoje pela Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza.

Os cálculos da associação ambientalista baseiam-se na análise da evolução da libertação de dióxido de carbono em dois sectores de actividade, que representam 55 por cento das emissões totais no país - a produção de electricidade pelas centrais térmicas e a venda de combustíveis no sector automóvel.

Ao comparar o volume de emissões de gases poluentes deste ano com 2002 - ano em que Portugal registou o crescimento mais elevado (43,8 por cento acima do ano de referência de 1990 estipulado no Protocolo de Quioto) -, a Quercus verificou que nos primeiros 11 meses de 2005 registou-se um aumento de 11 por cento nas emissões de carbono provenientes da produção de electricidade.

Nas emissões pelo uso de gasolina e gasóleo no sector dos transportes verificou-se uma descida de 2,3 por cento entre Janeiro e Setembro.

Devido à maior ponderação do peso das emissões na produção eléctrica face ao sector dos transportes, a Quercus prevê que, no final do ano, a libertação de dióxido de carbono registe um novo recorde de crescimento, devendo situar-se "algumas unidades acima de 44 por cento".

O dirigente da Quercus Francisco Ferreira, presente na cimeira do clima, que decorre em Montreal, no Canadá, realçou que "o ano de 2005 irá marcar definitivamente Portugal em termos de alterações climáticas, como um ano de seca, de incêndios, e também o ano recorde de emissões de gases de estufa".

Para a Quercus, o aumento das emissões poluentes em Portugal este ano é causado, sobretudo, pela severa seca registada ao longo do ano, que obrigou a um maior recurso às centrais térmicas ("alimentadas" a carvão e a fuel) para a produção de electricidade.

Mas, "apesar da situação de seca que agravou muito as emissões das centrais térmicas, Portugal tem problemas estruturais que tem de resolver, como seja o aumento excessivo do consumo de electricidade e enorme dependência do automóvel", indicou.

"Portugal, como já apontado pela Agência Europeia do Ambiente na passada semana, não está no caminho para cumprir Quioto e é preciso não perder mais tempo para tomar medidas", acrescentou o responsável da Quercus.

Esta associação ambientalista responsabiliza ainda os sucessivos Governos pela falta de politicas que desincentivem do uso de automóveis e de medidas de racionalização do uso da energia, assim como políticas promotoras da expansão das energias renováveis em Portugal.

Segundo Francisco Ferreira, devido à seca no país, entre Janeiro e Novembro deste ano a produção de electricidade através das centrais hídricas caiu 56 por cento face a igual período de 2004, "pelo que as emissões de dióxido de carbono equivalente aumentaram 28 por cento em relação ao ano passado".

Portugal comprometeu-se no Protocolo de Quioto a reduzir em oito por cento as emissões de gases com efeito de estufa até 2012 face a 1990. Contudo, nos termos de uma Directiva Europeia, a União Europeia permitiu a Portugal um aumento de 27 por cento das emissões, compensando com reduções de outros Estados membros.

No dia 1 deste mês, a Comissão Europeia apresentou, durante a Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, um relatório onde estima que Portugal vai registar um aumento das emissões de 42,2 por cento até 2012.

domingo, dezembro 04, 2005

Nelo supera Cajuda


A Académica venceu esta tarde no estádio José Bento Pessoa, na Figueira da Foz, a Naval 1º de Maio com um único tento apontado pelo enorme(em tamanho, o inverso na técnica) central Hugo Alcantara (jogador que já esteve nas cogitações da mafia siciliana, em concreto nos planos do Messina). Nelo Vingada supera assim Manuel Cajuda, atirando a equipa da foz do Mondego para a zona de despromoção, e subindo a Briosa para lugares confortáveis na tabela classificativa da primeira liga do futebol doméstico.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Leiam e pensem no que andam cá a fazer...

Intervenção do Ministro da Economia e da Inovação, na sessão de abertura da conferência «Portugal em Exame», organizada pela revista Exame

Ontem, eu deveria ter estado em Bruxelas no Conselho de Ministros para a Competitividade em que o tema foi inovação. Hoje, estou aqui nesta magnifica conferência em que Portugal está em exame e creio que o principal tema será inovação. Amanhã, estarei em Roma no encontro internacional das Cotec, que contará com a presença do Presidente Jorge Sampaio, do Presidente da Itália e do Rei Juan Carlos de Espanha sobre o tema será inovação. Inovação.

Houve um tempo em que o tema em moda foi privatizar. Depois foi o Euro. A seguir, o PEC. Mais recentemente, a defesa dos interesses nacionais. Agora, o principal tema em torno do qual os sectores mais dinâmicos da sociedade se estão a mobilizar é a inovação. Ainda bem que assim acontece.

Um país pode crescer acumulando mais e melhores factores de produção, ou seja, investindo e melhorando a qualificação dos seus recursos humanos, ou através da inovação.

A chave para o crescimento de longo prazo está na inovação. Na inovação dos produtos. Na inovação dos processos. Na inovação dos métodos de gestão. Precisamos urgentemente desenvolver a nossa capacidade em inovar. Foi por essa razão que o governo colocou no topo da sua agenda o Plano tecnológico.

Não será possível crescermos mais e desenvolvermos a capacidade em inovar sem mobilizar os sectores mais dinâmicos da nossa sociedade. Sem os empresários inovadores. Sem os investidores mais dispostos a assumir riscos. Sem os quadros mais bem preparados.

Precisamos crescer mais e crescer melhor. Não temos outra alternativa a crescer mais e melhor, porque o mundo não está parado.

Se não crescermos mais e melhor, vamos ficar para trás. A globalização tem imensos aspectos positivos, mas tem um corolário: não há um só dia de descanso para uma empresa ou para um país que queira ter sucesso.

O recente caso das exportações de têxteis da China é paradigmático. Liderámos o grupo de países que defendem a adopção de um procedimento mais rápido relativamente à China, mas temos consciência de que se trata apenas de ganhar tempo. A modernização é inevitável.

Podemos contar com a ajuda de terceiros? Sim e não.

Infelizmente, não vamos poder contar com a ajuda do exterior para crescer mais depressa, porque a zona económica de que fazemos parte está em desaceleração. As projecções de crescimento económico da zona Euro têm sido sucessivamente revistas em baixa.

Também não podemos contar com um choque favorável nos termos de troca porque o petróleo está a registar uma forte subida, que parece ser para ficar. A subida do preço do petróleo empobrece os países importadores.

Mas podemos contar com um próximo QCA virado para a competitividade e a inovação.

Esta verdade já foi compreendida pelos sectores mais dinâmicos da nossa sociedade, que se batem por mais concorrência, mais inovação, mais internacionalização, mais flexibilidade, melhores qualificações e que se estão a mobilizar.

Parece que até os mais novos já entenderam esta nova realidade. Ao que eu sei, nos nossos melhores liceus está a aumentar fortemente a procura pelas secções que dão acesso aos cursos de ciências. Isto é um indicador muito importante e positivo.

O que é que o Estado pode fazer para mais e melhor crescimento?

A receita tradicional seria aumentar a despesa pública, porém tal não é possível, nem desejável.

Não é possível, porque as nossas finanças públicas estão muito frágeis. Dentro de pouco tempo, serão conhecidas as conclusões da Comissão encarregue de determinar o verdadeiro montante do déficit orçamental e as perspectivas não são boas. Não é realista esperar um relançamento da economia através de um aumento da despesa pública.

Também não é possível, nem desejável, relançar a economia através do consumo privado.

O nível de endividamento das famílias ainda não é alarmante, mas já é muito elevado. Por isso, aumentar o consumo também não é a solução.

Mesmo que fosse possível relançar a economia através de um aumento da despesa pública ou do consumo, isso não seria desejável. Não acredito em soluções deste tipo.

A solução para crescermos mais e melhor está no investimento e nas exportações. Mas para atingirmos esses objectivos, não podemos actuar de forma desgarrada, temos de agir no quadro de uma estratégia.

A base dessa estratégia é o Plano tecnológico, que é uma bandeira do governo do qual faço parte.

1. Criámos a UMPT, que está a conseguir atrair alguns dos nossos melhores e mais bem preparados jovens.

2. Foi introduzido o ensino do inglês desde o ensino básico.

3. Foram repostos os incentivos fiscais ao investimento em investigação e desenvolvimento.

4. Foi aprovado o Inovjovem, que permitirá colocar 1,000 jovens técnicos nas nossas PME.

5. Foi aprovado o Inovcontacto, que permitirá a 300 dos nossos jovens, todos os anos, ter uma primeira experiência profissional no estrangeiro, tendo sido seleccionadas as cidades de Xangai, Austin, S. Francisco, Seul, S. Paulo, Barcelona e Helsínquia.

6. Também no quadro do Inovcontacto, serão colocados 200 jovens da área dos têxteis, do calçado e do turismo nas empresas mais modernas e inovadoras de França e Itália.

7. Foi perspectivado que o nosso verdadeiro mercado interno é o mercado Ibérico, mercado em que temos de aumentar a nossa presença não só através de Madrid e de Barcelona, mas também através das Comunidades autónomas.

8. Está a ser adoptada uma política comercial mais pró-activa. No próximo dia 3 de Junho, o ministro da Economia do Brasil deverá vir ao nosso país assinar um protocolo para a eventual construção de uma plataforma comercial para os produtos brasileiros na Europa. Estamos a começar a preparar uma semana de Portugal na China para o próximo mês de Setembro.

Naturalmente, o Plano tecnológico não se esgota nestas medidas avulsas, porém elas são emblemáticas.

Antes do final do ano, iremos apresentar o conjunto de medidas destinadas a aumentar a produtividade e a competitividade que irão dar corpo ao Plano tecnológico. Quero recordar que o novo governo espanhol demorou bastante mais tempo a fazê-lo, já para não mencionar o caso francês, país em que foi lançado recentemente um processo semelhante. Isto quer dizer que, para nós, o Plano tecnológico tem um sentido de urgência maior do que nesses dois países.

O plano tecnológico não se vai esgotar num conjunto de medidas avulsas. Há um trabalho surdo a realizar que é muito importante e que consiste em formatar as nossas instituições e os mecanismos financeiros de intervenção para o novo QCA, que será muito virado para a Agenda de Lisboa e para a competitividade. Esse trabalho de reformatação das instituições é fundamental e já está em curso.

De facto, não basta reclamarmos mais inovação em abstracto. Vai ser preciso preparar as bases concretas para que isso aconteça. O novo QCA é uma oportunidade única que não podemos desperdiçar. É necessário um diálogo construtivo que envolva os sectores mais dinâmicos da nossa sociedade para que não se perca mais esta oportunidade.

Mas hoje eu não queria falar apenas do Plano tecnológico.

Também quero falar de algo mais singelo e fácil de medir, que é o investimento. Porque é o investimento que permite aumentar e melhorar o stock de capital físico necessário para o crescimento. Não podemos passar de um extremo para o outro e esquecer que sem investimento o nosso stock de capital não vai melhorar e que, sem isso, não haverá mais crescimento.

Precisamos de mais e de melhor investimento. O quadro do investimento melhorou claramente no nosso país. Estamos a tentar mobilizar mais de 25 biliões de Euros para novo investimento.

* Por um lado, existe o Compromisso de apresentar, até final de Junho, o programa dos grandes investimentos estruturais para a legislatura: na energia, nos transportes, no ambiente, no saneamento, na saúde.

Este compromisso não será apenas uma lista avulsa de projectos, será um conjunto coerente de projectos envolvendo o Estado e o sector privado que, em pouco mais de quatro anos, irão transformar Portugal num país mais moderno.

Estima-se que o montante deste programa de infraestruturas irá envolver mais de 20 biliões de Euros. Graças a ele, Portugal será, daqui a quatro anos, um país muito mais moderno.

* Por outro lado, existe o propósito de facilitar o mais possível o investimento privado. O ideal seria nós vivermos num país sem burocracia, com baixos custos de contexto. Mas a realidade não é essa. Em vez de elaborarmos uma teoria geral sobre a burocracia ou de encomendar a uma empresa de consultores o e-nésimo estudo detalhado sobre o workflow dos procedimentos administrativos, criámos os PIN.

Os PIN, que foram anunciados há duas semanas, e que irão ser coordenados pela API, são a confluência, num só processo operativo, do compromisso dos ministérios da Economia, Ambiente e Finanças em tratarem da forma mais expedita possível os projectos de investimento privado que preencham determinadas características.

Numa primeira fase, foram identificados projectos num montante de quase 5 biliões de Euros. Trata-se de um conjunto de projectos bem diversificados em termos sectoriais e regionais. Conjuntamente, irão criar mais de 15.000 empregos directos.

Portanto, se somarmos os projectos infra-estruturais do Compromisso para a legislatura aos PIN já identificados estamos a falar de um montante total de cerca de 25 biliões de Euros de novos projectos, só nesta primeira fase. Trata-se inegavelmente de um impulso extremamente forte sobre a actividade económica e de um impulso em que os investidores privados têm um papel importantíssimo.

Mas o investimento não se esgota nos grandes projectos de infra-estruturas e nos grandes investimentos privados. O tecido das PME é extremamente importante e a ele vai ter de se dar uma grande prioridade. Grande parte do nosso futuro joga-se ao nível das nossas PME.

O mundo das PME é um universo muito complexo e heterogéneo, responsável por uma enorme fatia do emprego, e ao qual tem de se dar a maior atenção.

Vencemos o desafio das privatizações quando era essa a prioridade. Vencemos o desafio do Euro quando era essa a prioridade. Agora, a prioridade é a inovação, e a forma como a nossa sociedade se está a mobilizar em torno deste objectivo permite acreditar.

Acredito que é possível darmos um salto qualitativo. Acredito que as nossas empresas vão ser os grandes protagonistas desta mudança. Acredito que a missão das políticas públicas é não dificultar esta mudança e, na medida do possível, fazer com que tenha lugar melhor e mais rapidamente.

É nisso que estou empenhado e prometo, desde já, que, daqui a um ano, não estarei aqui para me submeter a um mini-teste. Estarei aqui para me submeter a um exame.

terça-feira, novembro 29, 2005

Mas e Sandra Alves?????

Ainda tomado pela onda saudosista iniciada pelo parreirex, aproveito para lançar o desafio: "Mas e Sandra Alves?" Quem é? O que fez? O que faz? O que fará para nos surpreender no futuro? O que é feito da sua veia poética que tanto encantou o nemateg e porque nao dize-lo, todo o departamento de Matemática por intermédio daquele pasquim intitulado Abaco? (aproveito para saudar o amigo Pedro Dourado, por ter sido o olheiro perfeito, o caça talentos ideal, que permitiu a abertura ao mundo dessa Deusa da literatura portuguesa, de seu nome Sandra, Sandra Alves).

E o poema? Alguem têm?

É OFICIAL!

É verdade! A partir deste momento todas as incertezas acabaram! Chegou a altura de descobrir novos mundos! Não foi uma decisão fácil! Moçambique não é propriamente aqui ao lado! O que sinto? É complicado descrever por palavras! Mas imagino o que vós, companheiros pensais! Este era o último tipo que imagináveis poder ir parar ao continente africano! Surpreendidos? Eu também! Eu, velho de alcunha, Brasileiro, conhecido pelas minhas posições pouco ortodoxas, distraído por natureza, bom falante e principalmente bom pinante, vou partir para uma nova realidade negra!
O que me motiva? Falaram-me da terra prometida! Musas da cor do chocolate, festas, as praias, a paisagem de Moçambique! Entre outras coisas que não me parece correcto menciona-las neste espaço tão elevado!
Vou ter saudades! Sinto o poder desta palavra tão genuinamente Portuguesa. SAUDADE! Mas também tenho a certeza que vós me recordareis! Em cada festa que fizerdes eu estarei presente, pelo menos em espírito! Não vou estar ai, mas vou andar por ai! Onde é que eu já ouvi isto? Tendes é que arranjar outro candidato! Não vai ser fácil arranjar um com tanta experiência nem currículo como eu, mas de certeza que alguém há-de avançar!
Juntamente com Ernesto Sincero dar-vos-ei as boas novas de Maputo! Continuarei a ser um fiel colaborador do Blog!
Sabeis que vos amo! Levo vos a todos no coração!

Alexandre Areias!

segunda-feira, novembro 28, 2005

Notícias do Cruzeiro do Sul 7

O Fim de um ciclo


Estimados amigos, conhecidos, contribuintes do blogue


O que hoje vos venho anunciar é a chegada do final de um ciclo, ou pelo menos eufemisticamente falando, do virar de uma nova página, na vida da ex-ku-malha.

Perguntar-me-ão vossas excelências como eu estou em condições de vos dizer em primeiríssima mão esta novidade, que terá um efeito destruidor multiplicativo na nossa existência.

A partir de hoje, nada será como dantes.

Uma vez que sou um homem de coragem, seguramente estarão lembrados que em tempos idos referi que a escola precisava de alguém. Falei com alguém que achava ter o perfil adequado, se conhecia alguém que quisesse vir, quando subrepticiamente o estava a convidar.

Como cavalheiro que é, disse-me que seria interessante colocar o anúncio no blogue e assim fiz.

A questão é nunca estaria à espera de pescar um peixe de águas profundas como é o caso.

No próximo dia 10 de Janeiro, a pessoa em questão, deverá estar a assinar contrato com a EPM-CELP. Até lá deverá tratar do seguinte:
  1. Cópia autenticada da certidão de habilitações
  2. CV actualizado
  3. atestado de robustez
  4. registo criminal (não esquecer)
  5. bilhete de avião (já podes ir marcar na agência ABREU)
  6. visto de dupla entrada (podes pedi-lo à entrada, mas é arriscado)
  7. vacinas: febre tifóide, amarela e hepatites (marca consulta do viajante nos HUC)
  8. Não compres a merda dos medicamentos que te receitarem (traz só replente de mosquitos(se quiseres))
  9. preservativos com espermicida (just in case of)
A pessoa em questão é um ícone vivo da nossa geração, comparável a outros ícones que atravessaram gerações e que ainda hj são idolatrados.

Por isso peço duas coisas:
  1. Como não quero ficar lembrado como "aquele que desviou o líder para o caminho sem retorno" acho que este assunto deverá ser referendado, porque meus amigos, há muito tempo que a vida desta pessoa deixou de ser vivida tendo apenas em consideração a sua vontade - a rainha de Inglaterra também não faz o que quer! Por isso a questão: Considerando a importância que o mesmo tem para o universo da ex-ku-malha em geral e para a sua vida em particular, considera que deverá embarcar nesta aventura moçambicana ?
  2. Caso a decisão dos bloggers seja a de que ele deverá vir, acho que deverá ser feita uma festa de despedida, pois o mesmo só voltará (salvo alguma imponderabilidade) em Agosto de 2006.

Não se chora sobre leite derramado (depende de onde caiu, digo eu numa clara correcção ao adágio), mas espero que com o tempo me perdoem, por ter despoletado a vontade de o mesmo abraçar novos desafios.

From Maputo with Love

Ernesto

domingo, novembro 27, 2005

a peça que faltava

Parabéns ao "mochos não abortam", que acertou na personagem que faltava no fotografia do post anterior.
Trata-se, efectivamente, de Alex.

Personagem carismática que passou pelo departamento de matemática, Alex destacou-se na área do humor, assinando um espaço sobre o tema no jornal do NEMATEG - o ábaco. Pena não ter comigo um exemplar de tão nobre publicação, senão publicaria um dos seus apontamentos que, com toda a certeza, alargaria o sorriso na face dos leitores...
Discípulo de Jeremias Correia (com quem partilhou a residência), Alex distanciou-se do humor corrosivo do mestre, vindo a enveredar pelo chamado humor abstracto.

Desconhece-se o seu actual paradeiro, sendo que da última vez que foi avistado, vendia moedas numa feira de velharias...

sábado, novembro 26, 2005

adivinhem quem falta...

Não admira que esta equipa tenha formado o NEMATEG mais pujante da sua curta (mas altamanete interessante) história. Basta atentar às personagens que dela faziam parte. Já agora, pode também atentar sobre algumas personagens.

Mas falta ainda uma figura neste elenco. Quem será que ocupa a posição central na fotografia de grupo da equipa maravilha???



P.S. A resposta dentro de dias.

quinta-feira, novembro 24, 2005

do you remember?

Notícias do Cruzeiro do Sul 6

Moçambique 24 de Novembro

Festa "Helios"

Com a chegada do Verão ao hemisfério sul, chegam também as festas ao ar livre até às tantas. Os ingredientes para uma boa festa são: música, gente simpática, álcool e eventualmente substâncias psicotrópicas para os mais afoitos, comida e "last but not the least" uma piscina.
A primeira festa do ano em honra do Sol, contou com a presença de algumas pessoas. Deixo-vos aqui uma pequena mostra da parte final da festa. O fotógrafo foi este vosso amigo que apesar de se encontrar exilado a cerca de 9500 km de distância, não se esquece de vós.
A meu lado encontra-se a "ninfa" que me inspirou neste trabalho e que achou divertido que as suas fotos fossem colocados neste blogue de referência da blogosfera. Talvez amanhã quando acordar já não se lembre, ou então.....se arrependa. Espero que este nosso espaço de referência não seja abruptamente encerrado, o que constituiria um claro atentado ao direito de expressão.
Daqui a 15 dias ocorrerá a festa do fondue algures em Maputo ou nos arredores.

From Maputo with Love
Ernesto

quarta-feira, novembro 23, 2005

O fim da saúde!!!

«A medicina evoluiu de tal forma, que deixou de haver pessoas saudáveis», de Aldous Huxley

pASSAGEM DE ANO 2005/6

terça-feira, novembro 22, 2005

Notícias do Cruzeiro do Sul 5

Moçambique 20 e 21 de Novembro



A praia


Um dos protagonistas

O almoço (em honra ao 26.11)


Crónicas Lombares

A frequência seria no dia seguinte! De costas voltadas para o televisor diria que no ecrã rolava agora bem alto uma das obras da trilogia do LUCAS.Qual nao foi o meu espanto, quando ao voltar-me para trás ,dou de caras com o aparelho desligado. Num impulso, auxiliado por um arrepio gelado, que me percorreu o corpo, cravei as unhas na cadeira enquanto aguardava pelo regresso de um rasgo de lógica ao meu cérebro. Devagar pego num candeeiro e percorro a casa a medo, divisão a divisão, enquanto cada vez mais o medo se transformava numa curiosidade insaciável que me deixava irrequieto. Foi entao que me dirigi à janela entreaberta do meu quarto, e espreitei, como um fugitivo encostado a uma parede, entre as cortinas. O que vi, jurei guardar só para mim, e ainda hoje o meu sono sofre de assaltos de memória que tento a todo o custo,e cada vez mais, afogar em alcoól. Vi dois homens, cada um com um sabre de luz, de baixo consumo, loucos de raiva, a combater, por aquilo que ouvi, pelo Trono da Escócia. Entre gritos e uivos de dor, no meio da rua coimbrã, os sabres brilhavam e reflectiam o amarelado dos candeiros. A demanda comum, essa raiva que lhes emanava dos gritos, eram os motores da alma, e ao mesmo tempo o que impedia a razao de penetrar naquelas mentes. De repente, entre golpes e investidas um dos sabres quebrou deixando desarmado um deles. Nao perdendo tempo atirou-se contra a espada tentando agarrar o adversário. Foi entao que a luta começou com os corpos, pelo chão, naquela rua coimbrã. Os meus olhos nao queriam acreditar. Tinham chegado perto da entrada do meu prédio, estavam cegos de loucura, lutando com uma força que me impressionava e quebrou-se a outra espada. Estavam golpeados, cansados, e ambos derrotados. Foi então que vi aquilo, do cimo da rua e a descer desenfreado, vinha um animal louco, sim era um animal, nenhum humano ruge assim. Nas mãos por cima da cabeça, trazia um objecto preto e pesado que arremessou contra os pretendentes ao trono causando o espanto destes. Esquecendo por uns instantes o trono investiram contra a besta auxiliados pelo o que parecia um homem gigante, a tentaram agarrar, prendê-lo, tudo em vão. Cansados de tudo isto e tirando um dos espadachins, todos os intervinientes desta história, deitaram toda esta loucura garganta fora, em forma de um liquido espesso que arremessaram para a frente. A loucura tinha terminado. Ainda ouvi tocar a campainha, à qual reagi com um salto, mas pode ter sido engano.Existe na minha rua uma livraria, um tasco e um bar bonito. Porque nao foram estes homens para o bar, que penso que estava aberto aquela hora, em vez de se terem destruido sem compreensão, sem motivo, sem respeito...estou louco, mas a verdadeira loucura, a raiva, o sentimento estiveram ali em forma de gente...
P.S Este artigo foi escrito por um residente externo de seu nome Macbeto!

26/11 Jantar convivio

Devido á ausência de um numero significativo de elementos fundamentais á ingestão de uma mariscada que se prése, decidimos realizar um jantar no suposto dia da mariscada, com vista a organizar a Mariscada 2.Assim dia 26/11 pelas 16h pede-se a comparência dos interessados, no restaurante, marisqueira "Espanhol".A dormida etá garantida, devendo os interessados, trazer algum agasálho.Beijinhos e até sabado.

segunda-feira, novembro 21, 2005

a propósito das eleições da D.G.-A.A.C.

aqui fica um texto de campanha da saudosa Lista Q, naquelas loucas eleições que podiam ter mudado o ensino superior neste país:


POR UMA MELHOR QUALIDADE DE ENSINO

Era uma vez um país, onde tudo era cor-de-rosa. Caíam flores do céu, corria mel nos rios, e as pessoas eram felizes. As Universidades também não fugiam à regra, tudo era rosa. Os alunos e os professores cantavam e dançavam no intervalo das aulas; estas corriam maravilhosamente bem, uma vez que tudo era explicado tendo por base a prática sustentada por potentes máquinas. Os professores, esses, gostavam de dar notas justas nas frequências e exames, e os alunos eram aprovados com distinção. Não tinham problemas: tudo era fácil. O governo, também rosa, há muito que tinha banido as propinas, uma vez que achava que o ensino era da sua competência. Assim, havia bolsas para todos, neste país onde a felicidade imperava. Quando acabavam os cursos, todos tinham emprego, e iam fazer o que sempre sonharam.
Ao lado deste país das maravilhas, havia outro, com as mesmas pessoas. Aqui nem tudo era rosa. Aliás, a única coisa rosa era mesmo o governo. Havia um padrão de cores, mas aos olhos dos estudantes resumiam-se a uma: negro. Nas Universidades nada era rosa; os professores, que pouco ou nada percebiam de pedagogia, davam aulas como quem dá maçãs velhas a porcos; os alunos, esses não tinham potentes máquinas que lhes servissem de base à sua aprendizagem, a única coisa que tinham eram velhos livros (livros não, sebentas) que continham palavras e fórmulas indecifráveis. Por muito que um aluno trabalhasse, nunca iria colher os frutos do seu esforço, devido às enormes intempéreis que assolavam a Universidade. Assim, não era de admirar que fossem poucos os alunos que terminavam o curso com sucesso. Aqueles que o concluíam, nem sempre iam trabalhar, sujeitando-se aos trabalhos que apareciam nos classificados dos jornais: “Precisam-se colaboradores para casa de massagens. Alto vencimento.”, ou “Precisa-se jardineiro, com ou sem experiência”, ou “Precisam-se figurinos para grandioso filme pornográfico”. As famílias eram as mais penalizadas, uma vez que tinham que pagar o alojamento dos seus rebentos (agora já em forma de arbusto), muitas vezes em condições deploráveis, (locais em que o meu cão, o Farrusco, se recusaria a dormir um dia, quanto mais um ano); pagavam também a alimentação, pois neste país, o mel há muito que se tinha esgotado, sem falar nas malvadas propinas, uma das principais inovações deste governo quando atingiu o poder. As condições dos estudantes eram deploráveis, e os tumultos não paravam de acontecer; o empobrecimento das famílias e o desemprego aumentavam.
Até que um dia, os habitantes deste país ficaram fartos do ensino, e das suas consequências, que era concedido aos seus filhos. Atearam fogo ao país onde viviam, ficando até o próprio governo enegrecido e mudaram-se para o país vizinho, onde foram felizes para sempre.
Em qual dos países é que pensa que vive?

Jeremias Correia (Lista Q)

Lista Q - Vem gozar connosco



P.S - Apesar da ausência do nosso lider e profeta Alexandre Areias (em retiro espiritual com os talibãns) a tentativa da ex-ku-malha tomar o poder ficou-se por um honroso penúltimo lugar.

domingo, novembro 20, 2005

Crónicas Lombares

Como gostaria de ter esta ideia mais cedo! Escrever sobre o quotidiano que ensombra esta casa certamente daria um bom filme com direito a sequela! As personagens aqui descritas são eloquentes, quando se juntam o devaneio passa a ser a palavra de ordem! Trabalho e produtividade são conceitos que parecem desconhecer! E quando alguém tenta introduzi-los ficam paralisados como se o fluxo da conversa estancasse num dique de abstracção! Para fugirem a este estado só existe uma solução viável! Uma bomba de mau cheiro para pulverizar o ambiente e traze-los de volta ao seu universo Cardinali! Realizar tal acto provocará uma ruidosa gargalhada entre os presentes! Excepto um, o temível unionista laranja que se recusa participar neste ritual perfumado apesar das várias tentativas frustradas de o fazer membro honorífico com direito a cartão inclusive!
Os dias vão passando, o trabalho vai-se acumulando, e a único projecto viável é enlouquecer! Não existe alternativa, a deusa loucura instalou-se cá em casa! E todo vós que tivestes o prazer de visitar estas varandas, de uma maneira ou de outra, já foram tocados por ela! Sim, porque como poderia a deusa loucura dar epíteto mais digno aos seus oradores, aos iniciados nos seus mistérios aquando da entrada nesta casa? Que vos parece?
Que seria desta vida, se é que de vida merece o nome sem os prazeres da loucura? Oh…! Vós me aplaudis verdade? Não será a loucura o mesmo que sabedoria? Dizei-me se há, acaso um só dia na vida que não seja triste, desagradável, fastidioso, enfadonho, aborrecido quando não é animado pela loucura!

E para vos provar que tenho razão vejam este exemplo! Acabei neste momento de receber uma SMS que ditava o seguinte: Como é hoje? Vamos ao Delight?
O Delight para aqueles que desconhecem é o bar que veio substituir o antigo Alcântara cujo nas noites de domingo o fino custa a módica quantia de 50 cêntimos. É ou não uma loucura?

sábado, novembro 19, 2005

Uma conversa no messenger

goncalo_maia@hotmail.com diz:
Gostais de cona, D. Alexandre?
Alexandre diz:
Sabeis que sim meu fiel criado!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Tive a humildade de preparar algo para si, meu amo
Alexandre diz:
Resolvestes me surpreender com quê? estou curioso!
Alexandre diz:
Tão curioso como pela primeira vez que fui visitar o quarto da rainha!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Sim, meu amo, mas esse quarto agora, já não desperta qualquer tipo de curiosidade em toda a corte, não é verdade, ó magnífico?
Alexandre diz:
Então o que está a despertar curiosidade pela corte? Deveis-me manter informado meu fiel companheiro!
Alexandre diz:
Por acaso alguma cortesã que valha a pena o rei desflora-la?
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Lembrai-vos certamente de um tal de Cabral, navegador?
Alexandre diz:
O que descobriu o Brasil! Certamente que sim
Alexandre diz:
Como hei-de esquecer!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Vossa excelência sois bom de memória!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
pois bem...
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Trouxe novidades do novo mundo, meu senhor!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Lá tudo é diferente segundo contam
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Temos de começar a colonizar rapidamente, sua alteza!
Alexandre diz:
Não me diga! mais umas índias que teremos de evangelizar!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Vede por vossos próprios olhos!
Alexandre diz:
Estou à espera meu bravo!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
http://consultorio.webcindario.com/karine/ch.htm
goncalo_maia@hotmail.com diz:
http://consultorio.webcindario.com/ludimilacastro/ch.htm

goncalo_maia@hotmail.com diz:
http://www.fabianaclubedaputaria.theblog.com.br/FabianaSchunk.htm

Alexandre diz:
como são belas essas nativas!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
http://www.vivianearaujoch.theblog.com.br/index.htm
goncalo_maia@hotmail.com diz:
http://www.livialemosch.theblog.com.br/index.htm
goncalo_maia@hotmail.com diz:
http://www.cherryecalesca.theblog.com.br/dupla.htm
goncalo_maia@hotmail.com diz:
meu rei e senhor, será que vamos conseguir colonizar tudo
goncalo_maia@hotmail.com diz:
http://consultorio.webcindario.com/karine/ch.htm
Alexandre diz:
Sabeis que a nossa armada é invencível!
Alexandre diz:
O adversário demonstra ser poderoso!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Precisamos de armar os navios com PAU BRAZIL!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Essa madeira que não quebra facilmente, senhor
Alexandre diz:
Pois mas essa madeira encontra-se do outro lado do atlântico! Vamos equipar os nosso navios com pau de carvalho e castanheiro!
Alexandre diz:
e vamos penetrar em mundos outrora jamais explorados
Alexandre diz:
Viva o rei! Viva Portugal!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Senhor, ainda é território inexplorado, realmente, mas acreditai, segundo os relatos, aquilo é grande...temos um território que pode até ultrapassar a área do Alentejo
Alexandre diz:
Sim! procuraremos aliados! E não vos esqueceis do seguinte... Nós temos deus do nosso lado!
Alexandre diz:
um poderoso e invencível aliado! por deus! juro-vos que as colonizaremos
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Perdoai senhor, por vezes tenho medo do que possamos encontrar
Alexandre diz:
a essas infiéis
goncalo_maia@hotmail.com diz:
mas senhor, são o DIABO em forma de gente, nunca conseguiremos
goncalo_maia@hotmail.com diz:
o abade Custódio, foi lá em missão e nunca mais foi visto
Alexandre diz:
Como ousas blasfemar? Quer que um raio atravesse sua alma!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Deus me perdoe
Alexandre diz:
Ele te perdoará! Agora vai anunciar a boa nova!
Alexandre diz:
Partiremos o mais breve possível! Um mundo novo aguarda por nós!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
vós vindes senhor?
goncalo_maia@hotmail.com diz:
Temo pela sua segurança!
Alexandre diz:
Tenho de dar o exemplo! Um exército não pode conquistar novos mundos sem o seu chefe supremo!
Alexandre diz:
Que cognome me dariam os meus súbitos ?Alexandre o cobarde!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
mas senhor, ides ficar atrás da cavalaria, não podeis entrar na batalha
Alexandre diz:
É claro que entrarei! Não ouses desobedecer-me!
goncalo_maia@hotmail.com diz:
perdão senhor, usai a sua espada como bem lhe aprouver
goncalo_maia@hotmail.com diz:

("que homem, que coragem este meu amo)

sexta-feira, novembro 18, 2005

Sem Titulo

Acendo um cigarro de costas para a cidade que me viu crescer! Olho para o céu, as casas em redor tem as luzes acesas! Imagino o que se passará nesses nichos familiares! Deve haver personagens interessantes que dariam um bom livro! Faz um vento frio, sinto aquele arrepio nas costas, um arrepio gostoso! Gostava que entrasse alguém, uma mulher que se encontra perdida no meu imaginário, que me trouxesse algum aconchego! Uma mulher com um olhar triste, uns olhos cintilantes, que pusesse um pouco de carinho na minha vida! Uma mulher que me tirasse desta realidade triste, poluente, negra. Uma realidade com um cheiro nauseabundo! Gostava de viajar num mundo imaginário que não é o conjunto dos números complexos! Finding Neverland? Talvez! É apenas algo que ninguém sabe onde fica! Isto é pura insensatez, mas o que se há-de fazer? Temos de brincar com a vida apesar de a vida ser uma só! Talvez se fosse um felino sempre poderia desmistificar o mito de ele ter sete vidas! Enquanto isso espero que a inspiração me bata à porta! Não digam nada a ninguém… mas tenho o pressentimento que esta para chegar! Imagino como ela será! Penso que tem uma forma cilíndrica, mas disforme! Um pouco destrambelhada, um andar mirabolante mas que ao mesmo tempo a torna tão bela, sensual! Um perfume… sim um perfume que deixa rasto por onde passa! Esperem…acabou de chegar! Abro a porta, a minha respiração ficou suspensa assim como os jardins da babilónia! Como é bela… estou estupefacto! Queria poder descreve-la mas as palavras ficaram perdidas, ando à procura delas dentro de mim, viajo por caminhos que alguma vez pensara existirem… mas por fim encontro-as num bar a beberem um copo de James Martin 20 anos com um pouco de perrier! Sim… elas, como eu ficaram aterrorizadas com a sua beleza, com a luz que emancipava dos seus olhos! Convenci-as a virem comigo pois preciso delas para exprimir-me e dizer que a amo! A medo cumprimentei-a e convidei-a a entrar! Falamos horas e horas! O que falamos? O que fizemos? Escrevemos este texto!


As minhas desculpas!
Peço desculpa pela minha ausência, mas sobreviver no mundo real, nos tempos que correm, é coisa para deixar qualquer um sem inspiração, exausto...
Entretanto, como se vê pelo último post, retomei. A crise dirá até quando...

quinta-feira, novembro 17, 2005

à falta de choque...

... terapia de choque.

José Sócrates confirma demissão do coordenador do Plano Tecnológico

O caos e a trindade...

Não vi a entrevista de Luís Filipe Vieria na RTP (a tal dos jagunços), mas parece que ao falar de arbitragens e em relação ao golo anulado ao União de Leiria contra o Sporting (o tal golo), o homem terá dito: "Se isto acontecesse com o Benfica, caia o CAOS E A TRINDADE".
Ora, isto é brilhante... Esta eventualidade nunca antes considerada já pôs a comunidade científica e filosófica em polvorosa. Será que depois da queda, o caos originaria a ordem?

Para quem gosta de futebol (e não só):
façam um favor a vocês próprios e ouçam a "Linha Avançada", na Antena3, às 10 para as 7 da tarde. É, de longe, o melhor programa de desporto na rádio e, muito provavelmente, o melhor programa de humor também. Qual bola branca qual quê...

beijos e abraços.

P.S. Claro está que foi na "Linha Avançada" que ouvi que o gajo tinha dito isso.

Perdas....

A família comia tranquilamente quando, inesperadamente, a filha de 10 anos se sai com esta:
- Tenho uma má notícia... Deixei de ser virgem!

E começa a chorar, visivelmente abatida, com as mãos no rosto e um ar de vergonha. Um silêncio sepulcral. E os pais começam a trocar acusações mútuas...

- Tu, sua filha da puta! (marido dirigindo-se à esposa).
Isto é por tu seres como és! Por te vestires como uma puta barata e te arreganhares para o primeiro imbecil que chega aqui em casa. Claro, com este exemplo que a menina vê todos os dias...

- E tu também!!! (Pai apontando para a filha de 25 anos).
Sempre agarrada no sofá a lamber aquele filho da puta do teu namorado que
é mais gay que outra coisa. Tudo na frente da menina!

A mãe não aguenta mais e explode:
Vira-se para o marido e diz:
- E tu meu camelo? Gastas metade do salário com putas e despedes-te delas à porta de casa? Pensas que eu e a menina somos cegas?
E além disto que exemplo é que lhe podes dar se, desde que assinaste a merda da TVcabo, passas todos os fins-de-semana a assistir filmes porno de quinta categoria, com putas e cavalos e depois acabas por bater dezenas de punhetas com direito a todos os tipos de gemidos e grunhidos?

Desconsolada e à beira de um colapso, a mãe, com os olhos cheios de lágrimas e a voz trémula pega ternamente na mão da filhinha e pergunta baixinho:
- Como foi que isso aconteceu, filhinha?

E entre soluços a menina responde:
- A professora tirou-me do presépio! E a virgem, agora, é a Ana e eu vou fazer de vaquinha!

A espumar ....

O caso foi contado numa carta de um leitor, assinada por Joel Lima, no jornal O Record e retomada pelo Expresso do dia 17 do mês passado. À saída de um estádio de futebol em Lisboa, um adepto do Benfica armou-se em engraçado com uma mulher-policia a cavalo: "Eh, sabe que o seu cavalo está a espumar da boca?". Rápida como uma seta ela responde-lhe: "Também você estava, se estivesse seis horas entre as minhas pernas."

quarta-feira, novembro 16, 2005

É dia 26 do 11 a Mariscada 2

Bem... pelo que já foi dado a conhecer, algo de grande está para acontecer.
Pois é, a malta finalmente vai ter oportunidade de mostrar que é tão boa a noite como é durante o dia.
Devem estar a pensar o que é que este gajo está para aqui a escrever desta vez...
Então é assim... eu Materia com a perciosa ajuda de Cesar e Moreira vamos organizar uma MARISCADA CASEIRA, o evento está programado para o dia 26 de Novembro, na Figueira da foz e não é jantar... é lanche ou seja é o dia todo ( acordar ao sabado: 13h estar na figueira ás 16h e por ai fora), esplanadas, canecas, mariscos, mulheres, gajos, apontamentos de topicos, mecha(desta vez menos do que na festa de marisco do parreira e adão) e Loockers (final de noite...do melhor).
Como tal, fica desde já feito o convite a toda a comunidade Excumalhosa para aderirem a mais um Repasto/Convivio.
O evento será organizado em casa de um futuro noivo = ultima festa digna desse nome, naquela casa.
Manifestem a vossa comparencia atravéz dos numeros telefonicos dos 3 organizadores ou então atravéz dos seus e-mails.
Contamos com voçes.

terça-feira, novembro 15, 2005

Comparações...

Num julgamento de divórcio, o casal discute pela guarda do único filho.
A mãe, muito emocionado, tenta defender-se:
- Excelentíssimo Juiz... Esta criança foi gerada dentro de mim... ela saiu do meu ventre, portanto eu mereço ficar com ela!
O juiz passa a palavra para o marido, que resolve usar o seu lado lógico:
- Senhor Juiz, responda-me a uma pergunta: quando eu coloco uma moeda numa máquina de refrigerantes, a latinha que sai é minha ou da máquina?

segunda-feira, novembro 14, 2005

sabia que...

... um café nos bares da assembleia da república custa 25 centimos? Eu não.
Aposto que uma senha de almoço para a cantina deve andar por volta de 1 euro e 20...

P.S. : Cada vez me convenço mais que deputado é a melhor profissão que se pode ter em Portugal. Acho que vou regressar ao meu belo distrito, começar a colar cartazes e preparar a minha ascenção política local até atingir esse belo estatuto. Pelo PSD ou pelo PS, tanto faz. Se bem que pelo PSD seja mais fácil, dado o mito da minha "laranjice" e o número de deputados que pode eleger (às vezes são 3, contra 1).

Coimbra Group

Coimbra Group

Founded in 1985 and formally constituted by Charter in 1987, the Coimbra Group is a network of European universities which gathers 39 of the older universities, including Oxford, Cambridge, Salamanca, Bristol, Leuven/Louvain, Montpellier, Uppsala, Göttingen, Heidelberg, Jagiellonian, Dublin, Bologna, Siena, Leiden, Coimbra, Barcelona and Granada.
The group took its name from one of the oldest universities in Europe, the University of Coimbra, Portugal. Coincidentally, the University of Coimbra celebrated its 700th anniversary that same year, 1985.

Mission
Quote from the Coimbra Group website (see below for link):
Founded in 1985 and formally constituted by Charter in 1987, the Coimbra Group is an association of long-established European multidisciplinary universities of high international standard committed to creating special academic and cultural ties in order to promote, for the benefit of its members, internationalisation, academic collaboration, excellence in learning and research, and service to society. It is also the purpose of the Group to influence European educational policy and to develop best practice through the mutual exchange of experience

sexta-feira, novembro 11, 2005

Burocracia

A que ponto as coisas já chegaram!

Image hosted by Photobucket.com

PS - Vanishing Point, tens de ter cuidado com as imagens, pq não poderm ser maiores do que 400px se forem pa mostrar aqui directamente. Recomendo a utilização da inserção directa de imagens no blog (um quadradinho nos comandos da caixa de inserção de posts), mesmo por causa disso. Blogmaster2

Profissões!!



Que tipo de formação será necessária???

quinta-feira, novembro 10, 2005

Notícias do Cruzeiro do Sul 4 1/2

A Importância de um almoço - Algo importante está para vir ou já chegou??

Notícias do Cruzeiro do Sul 4


A Importância de um Nome


Faltava uma parte....!!!

















Isto até tem um comando.... nao se brinca!!!

A nova acquisição do Parreira.....



É uma espingarda mas até tem uma certa pinta !!!

quarta-feira, novembro 09, 2005

Algo GRANDE está pra vir...............

COROA DE MARISCO
INGREDIENTES:
*400 gr. de camarão *300 gr. de rolinhos do mar *1 emabalagem pequena de natas *4 ovos *Molho rosa (maionese e ketchup) *Alface *Manteiga
COMO CONFECCIONAR:
Corte os rolinhos em pedacinhos e desfie-os. Junte os ovos e as natas e bata tudo.
Unte com manteiga uma forma de coroa e deite este preparado. Coloque no forno, em banho-maria, durante 50 minutos aproximadamente, a 180º. Quando estiver pronto, deixe arrefecer e denforme.
Coza os camarões e descasque-os. Cubra a coroa com o molho rosa e disponha no centro os camarões. Enfeite a coroa com alface picada em juliana.



terça-feira, novembro 08, 2005

riscos sob um fundo branco

Sinto falta da RUC

Parece incrível, mas aqui na capital não há nenhum canal de rádio que consiga fazer frente à RUC. Uma cidade com uma população significativamente superior do que Coimbra! É um verdadeiro escândalo... :(

segunda-feira, novembro 07, 2005

José Cid - a foto que lhe mudou a carreira

Mas que raaio terá passado na cabeça deste tipo, para se deixar fotografar netsa triste figura, certamente terá pensado que se tornaria um sex symbol, mas nturalmente que nao foi isso que aconteceu, apenas fez figura triste!!

domingo, novembro 06, 2005

escumalha em força, na frança...

Nunca, desde que existe, o nome deste blog foi tão publicitado. Tudo, graças a Nicolas Sarkozy, o actual ministro do interior francês (e, ao que parece, futuro presidente da França...), que apelidou de escumalha a cambada de manfios que anda a fazer estrilho pelos arredores de Paris. Porém, convém esclarecer que esta ex-ku-malha não tem nada a ver com assunto (como se nota pelo modo como se escreve...). Aqui, em vez de carros, incendiam-se consciências, discussões, debates a partir do nada, pneus e quanto muito uns calhaus. Aliás, existe até uma facção deste blog - F.A.P. - que estará certamente solidária com Sarkozy. Já agora, e dado que a Amadora anda calma e os outros só vendem flores, que tal mudar de nacionalidade e instituir a F.A.F - Front de l'Armée Française. Seria paradoxal, mas nesta altura do campeonato (e, como já se viu em eleições não muito distantes) teriam concerteza muito apoio. Fica a sugestão.

Beijos e abracos.

P.S. Hoje, no le monde lia-se o seguinte:
"Depois dos Wray Gunn incendiarem algumas salas francesas com os seus concertos, outro movimento originário de Coimbra põe isto tudo a arder. Uma cidade a seguir com atenção."

P.S. Agradecimentos a David Moreira Pereira, pela traduçõa da sigla F.A.F.