cenário: noite de verão, tenda de campismo, a companhia perfeita, depois de um belo jantar à base de atum e salsichas e uma garrafa de vinho tinto. a tranquilidade do campo, os grilos a cantar ao fundo. abstrais-te por momentos da conversa (ou aproveitas a falta dela) e sais-te com esta: "e se eu te disser que agora estão exactamente 28º celsius..."
das duas uma, ou a companhia percebe finalmente que não bates bem e baza ou acha estranho, mas pede-te para desenvolver. no segundo caso podes brilhar. basta um relógio e o canto dos grilos para se determinar a temperatura ambiente. mais aritmética simples. conta-se, durante um minuto, o número de vezes que os grilos cantam, digamos N. a temperatura ambiente, em graus celsius, resulta muito aproximadamente da seguinte fórmula
T = 10 + (N -40)/7
e partes tudo...
podes acrescentar que este resultado, publicado em 1897 pelo americano Amos Dolbear é conhecido por lei de Dolbear.
se ainda assim te for pedido para desenvolver mais, dizes que a lei de Dolbear é apenas a superfície fenomenológica de algo muito mais profundo e surpreendente: o termómetro à base de grilos funciona por ser uma das raras manifestações macroscópicas de um princípio fundamental da cinética química - a lei de Arrhenius
agora sim, partes tudo...
se te pedirem para explicar a lei de Arrhenius, dizes que é um assunto meio complexo, que não se consegue explicar numa conversa, e remetes para o fascinante novo livro do Jorge Buescu: "o fim do mundo está próximo?" onde explica este e outros assuntos bem interessantes e surpreendentes.
com sorte, a companhia costuma viajar com um termómetro, por qualquer razão de ordem médica ou fetichista, confirma que realmente acertaste no resultado e a noite pode virar escaldante.
segunda-feira, julho 30, 2007
os grilos são termómetros (ou como brilhar numa noite de verão)
Espetado por parreirex @ 23:43 12 Bitaites
Labels: cinética química, matemática, noites quentes
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